Guimarães Rosa
É preciso sofrer depois de ter sofrido, e amar, e mais amar, depois de ter amado.
Guimarães RosaSe todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens?
Guimarães Rosao coqueiro coqueirando
as manobras do vermelho
no branqueado do azul
outrarte
o ouro esboço
do crepúsculo
e um vaga-lume
lanterneiro que riscou
um psiu de luz
para onde
nos atrai
o azul?
o arrozal lindo
por cima do mundo
no miolo da luz
tênue tecido alaranjado
passando em fundo preto
da noite à luz
tatalou e caiu
com onda espiralada
fragor de entrudo
mar não tem desenho
o vento não deixa
o tamanho...
verdes vindo à face da luz
na beirada de cada folha
a queda de uma gota
o bambual se encantava
parecia alheio
uma pessoa
sussurro sem som
onde a gente se lembra
do que nunca soube
alvor
avançavam parados
dentro da luz
entre as folhas
de um livro-de-reza
um amor-perfeito cai
os aloendros
em fila
nos separavam do mundo
há qualquer coisa no ar
além dos aviões
da Panair...
na barra sul do horizonte
estacionavam cúmulus
esfiapando sorveret de coco
Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa.
Guimarães Rosasussurro sem som
onde a gente se lembra
do que nunca soube
Viver é etecetera.
Guimarães Rosao coqueiro coqueirando
as manobras do vermelho
no branqueado do azul
e um vaga-lume
lanterneiro que riscou
um psiu de luz
o arrozal lindo
por cima do mundo
no miolo da luz
tênue tecido alaranjado
passando em fundo preto
da noite à luz
