Flora Figueiredo

Encontrados 13 pensamentos de Flora Figueiredo

O canteiro assiste:
a antúrio, falso perjúrio,
pões o dedo em riste.

Flora Figueiredo

Ouviu-se um estrondo
Baleia presa na teia?
Não! é marimbondo.

Flora Figueiredo

A estrela cadente
teima, se enrosca, se queima.
Quer o sol nascente.

Flora Figueiredo

Grito se agiganta,
embrutece, se enfurece,
morre na garganta...

Flora Figueiredo

Linha de combate:
as granadas e os petardos
são de chocolate.

Flora Figueiredo

Urge a maritaca.
Desafia a paz do dia
a golpes de faca.

Flora Figueiredo

Festa chega ao fim.
Beijos sobram na bandeja.
Todos de amendoim!...

Flora Figueiredo

O sol envelhece.
pavio queima por um fio.
Verão que apodrece.

Flora Figueiredo

Quanto desafeto!
A palvra se deprava
frente ao alfabeto.

Flora Figueiredo

Tempo destinado
a esfregar e descorar
nódoas do passado.

Flora Figueiredo

Linha de combate:
as granadas e os petardos
são de chocolate.

Flora Figueiredo

Numa pressa isana,
o jato divide em quatro
o azul-porcelana.

Flora Figueiredo

Mais uma vez o tempo me assusta.
Passa afobado pelo meu dia, atropela minha hora, despreza minha agenda.
Corre prepotente, para disputar lugar com o vento.
O tempo envelhece, não se emenda.
Deveria haver algum decreto que obrigasse o tempo a desacelerar e a respeitar meu projeto.
Só assim, eu daria conta dos livros que vão se empilhando,das melodias que estão me aguardando;
Das saudades que venho sentindo,
Das verdades que ando mentindo,
Das promessas que venho esquecendo,
Dos impulsos que sigo contendo,
Dos prazeres que chegam partindo,
Dos receios que partem voltando.
Agora, que redijo a página final,
Percebo o tanto de caminho percorrido
Ao impulso da hora que vai me acelerando.
Apesar do tempo, e sua pressa desleal,
Agradeço a Deus por ter vivido, amanhecer e continuar teimando ...

Flora Figueiredo