Fernanda Gaseta
Nenhum amor é eterno certo? Isso significa que se Shakespeare, Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade não fizeram poemas com juras aternas, nem amores eternos, quem criou essa coisa de pra sempre foi a gente e é por isso que sempre damos com a cara na parede né?! Nenhum amor é eterno, mais você tem que aproveitar todos como se fossem, porque cada amor é único, cada amor é um, tem que ser vivido da forma mais intensa possível, todos os dias tem que ser guardados na memória, e as lembranças ruins devem ser apagadas, e se deve aprender com os erros. Quando esse amor acabar, chore, mostre que realmente valeu a pena tudo o que vocês passaram. Depois que as lágrimas secarem siga a sua vida, um sorriso no rosto, e abra seu coração para um novo amor. Para viver tudo novamente. Para aprender com os novos erros, aprender com o outro novamente, para fazer loucuras, para rir, chorar, se emocionar, e enfim amar. É disso que a vida é feita. Quando dizem que o importante é ser feliz e ter saúde e que o resto não importa, eu te pergunto: Tem como ser feliz se não estiver apaixonado?
Fernanda GasetaQuando eu quero uma coisa eu vou até o fim. Podem me chamar de teimosa, do que for, mais eu me definiria como determinada. Não descanso enquanto não conseguir. Pode ser que a vontade diminua, mais eu não deixo de querer. Sou determinada a ir em busca dos meus objetivos, a conseguir minhas conquistas, a sonhar e a buscar meus sonhos sempre. Sou mimada desde pequena, eu queria, eu tinha. Dei com a cara na parede muitas vezes por causa dessa minha mania de achar que vou conseguir tudo sempre, mais eu não desisto, a vida é assim ué. Uma coisa que aprecio muito é o gostinho da vitória, da conquista, não tem igual. Mas também, aquela corrida contra o tempo e contra todos pra alcançar meus sonhos por mais impossíveis que sejam é o que me faz sempre correr atrás e sonhar de novo. Aquela sensação, não importe o tempo que demore, de estar indo atrás de uma coisa que você realmente quer, de ver o finalmente se aproximando, e de olhar pra trás e dizer eu lutei, eu conquistei, eu vou conseguir, é a melhor coisa do mundo. Sei reconhecer que as vezes desisto de certas coisas, mais é só quando eu vejo que não vale a pena, nunca é pela dificuldade de obstáculos. Já quis tanta coisa que eu lutei demais, lutei mesmo, e no fim quebrei a cara. Mas pergunta se eu deixei de querer? Lógico que não! Porque eu sei que um dia eu vou conseguir. Só vou deixar de querer quando eu ver que realmente não vale a pena. E pode ter certeza que quem decide se um sonho é muito grande, se ele é impossível, se é besteira, se ele não vale a pena, sou eu, nunca são os outros; porque no fim sou eu que saio ganhando, não eles. E como diz um sábio poeta: "Nossas dádivas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o nosso medo de tentar." Eu tento. SEMPRE. E você?!
Fernanda GasetaHoje eu escrevo com o coração na boca, mente aberta, pés no céu e pensamentos além.
Sabe quando em um segundo seu mundo desanda? Se perde? Dá aquele desânimo, a gente não tem vontade de nada. Parece que as bruxas estão soltas. Você se sente sozinha, e sente aquela pontinha de inveja de todos os casais felizes. Seu coração aperta tanto de vez em quando e você fica a flor da pele. Uma angústia. E um momento de paz, calma, amor, sorriso, parece ser impossível. Você desacredita no amor. O dia fica triste, sem graça. Vem então aquela síndrome de Barbie, a típica pessoa que não consegue e nem quer ficar sozinha. Você quer um Ken na sua vida, quem te faça feliz. Daí quando você está em um desses dias monótonos que parecem não acabar nunca e você só quer dormir e sumir, o sol começa a brilhar de novo, o dia está lindo, a vida é bela, a girafa amarela e você descobre. Por acaso, mais descobre. Descobre que as coisas não são bem assim, tão tristes e modorrentas. E descobre que vc pode achar outra pessoa que vai fazer seu coração parar, o chão sumir, o mundo parecer mais lindo, e te fazer feliz enfim. Você sente isso. E ela aparece assim na sua vida, do nada. E você fica naquela expectativa. Faz toda a sua rotina, faz tudo pensando nela. Aquela emoção que só quem está apaixonado sabe como é. Por enquanto, por mais platônico que ainda seja - e você SABE que é só por enquanto - passa pela sua cabecinha (que não sai da lua) como serão os dias com ela, e você fica imaginando, andando por aí com um sorriso abobado no olhar. Esperando o dia que isso vai sair do platônico e se tornar real. Fica naquela expectativa enquanto O dia não chega. Afinal, só resta esperar e ver no que vai dar.
Verdadeiros amigos deveriam se chamar irmãos. Porque os verdadeiros amigos gostam de você do jeito que você é, com todos os seus defeitos, qualidades, assim como sua família. Esses que estão com você em todos os momentos da sua vida; perdoam seus atos; riem das suas besteiras; te alertam sobre seus erros não te julgam; não te questionam; sempre te perdoam; te ensinam coisas novas, novos horizontes, novos pensamentos; te modificam, e se deixam modificar por você, para melhor, sempre um completando o outro; não saem do seu lado, não importa o que você faça. É um sentimento recíproco. Tomam um pedaço no seu coração muito rápido, não importa por quanto tempo. E conforme o tempo você percebe quem são os verdadeiros amigos, aqueles que podemos chamar de irmãos. E posso afirmar que não é o tempo que faz eles serem verdadeiros, pois existem amigos que fazem muito por você em meses do que amigos de anos. Porém a vida é feita de fases. Assim como uma roda gigante, a vida não para, as pessoas mudam, sua personalidade muda, e seus amigos mudam. Os verdadeiros permanecem. Todo e qualquer amigo que passar em nossa vida vai passar sozinha, de uma forma diferente, isso porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. Cada amigo que passar, quando for embora, vai levar um pedaço nosso, mas conosco vai deixar um pedaço de si. É por isso que destino existe, é por isso que as pessoas não se encontram por acaso.
Fernanda GasetaVocê pode ter milhões de amigos, milhões de namorados, milhões de fases, milhões de qualidades, milhões de defeitos, mas no fim, quem vai estar do seu lado em todas as suas atitudes, não importa o seu jeito ou o que você faça, que vai te aceitar do jeito que você é, é a sua família. Eu aprendi que o melhor brinquedo é a sua família. Brinquedos vivos, que dão e recebem, que nos fazem crescer e crescem também pelas nossas mãos. Que se transformam depois em grandes amigos para toda a vida, em companhia sempre presente de qualquer maneira. Em algo que fica quando se perde tudo aquilo a que nos conduziu a nossa loucura, quando se perde o que o tempo nos vai levando. Posso dizer que sou uma pessoa de grande privilégio, pois tenho a melhor família que alguém poderia ter. Tem as pessoas mais loucas, mais retardadas, mais felizes, mais unidas, mais amadas. Estando com eles, seja como for.
Fernanda GasetaA partir de agora e pra sempre, quero que cada dia dos anos que virão eu tenha o espaço do meu peito preenchido com tudo o que eu preciso, e que cada dia valha a pena. Que eu aproveite todos os momentos felizes até a última gota e guarde-os com carinho, para relembrá-los sempre que eu puder. Que eu saiba aproveitar sim minha dor, sofrer tudo o que tiver no momento e não ter pressa para que ela acabe rápido, pra que mais pra frente ela não volte a tona, quero aproveitar tudo o que ela me trouxer, todo o crescimento, mas que eu possa jogá-la fora depois, sem sentir que ainda falta um pedaço em mim. Que eu acredite na fé, e que eu tenha fé no que eu acreditar. Que eu mantenha minha personalidade sempre forte, não importa qual seja a situação. Que meus sentimentos sejam muito verdadeiros, e que eu aprenda com cada um deles. Que eu seja sempre eu mesma, mas que não seja a mesma para sempre. Que tudo, tudo mesmo o que acontecer, eu guarde no meu coração. Que cada dia seja melhor que ontem, e não tão bom quanto amanhã. Se não for assim, que seja, é só mais um dia mesmo.
Fernanda GasetaSabe, hoje, por mais que eu tenha cansado de muita coisa, sentei pra escrever e pensei: do que eu vou falar?! Tenho dentro de mim tantas dúvidas, tantos temas, tantas explosões que nem eu sei por onde começar. Falar de amor não daria certo, meu coração anda tão longe, que já nem sei mais se ele volta um dia. Falar de amigos seria patético, pois cada um segue sua vida, se afastam, e eu descobri que é assim que funcionam as coisas. Falar de família é uma sensação estranha, porque por mais que eu ame e saiba que eles estão comigo ali, o tempo todo, não são a minha inspiração hoje. Eu poderia falar de saudade, de tempo, de pessoas alheias, generalizar tudo e todos e falar pronto, esse é meu assunto, ou, eu poderia fazer um super texto com palavras lindas e de auto-ajuda pra todo mundo elogiar e dizer, nossa, realmente, você se superou. Mas as pessoas sempre leem os textos e acham o máximo, se divertem ou choram e pensam que é assim que tem que ser, mas ninguém age. Cansei de fazer textos assim também. Na verdade, cansei de escrever qualquer tipo de texto, sobre qualquer tema, porque por mais que eu escreva rios de palavras, me expresse, vomite meus sentimentos nas linhas, e abra meu coração, as pessoas nunca vão saber realmente o que se passa dentro de mim, e quem eu sou realmente. E isso também já me cansou.
Fernanda GasetaMeu coração anda longe, voando, em algum lugar bem distante. Um lugar onde ninguém o vê, ninguém o escuta ou o sente. Ele foi sem dizer nada. Simplesmente estava lá e de um minuto a outro não estava mais. Não tivemos nenhum tipo de desentendimento antes de acontecer isso, foi só um silêncio enorme, que dizia mais que qualquer palavra. E eu entendo que ele já não suportava mais nada. Tínhamos uma sintonia incrível, eu achava que ele era parte de mim, mas agora que ele se foi, tenho a certeza que ele era eu por completo. Sempre me disse que eu não era desse mundo, e que eu podia muito mais se eu quisesse. Eu não o ouvi e não me deixei levar por ele. Tantas e tantas vezes sentia que aquilo não era certo, que eu ia acabar me magoando muito e o machucando. Mas eu fechava meus olhos e me entregava. E quando tudo passava, e a dor vinha com mágoas e sofrimento, ele ainda estava lá, comigo, não me abandonou. Ultimamente vinha dizendo que eu precisava abrir os olhos, não me deixar levar, não me deixar enganar, mas como sempre, eu não o escutava. Várias são as vezes em que ele me disse que por mais que eu errasse ele ainda estaria ali, porém, que se cansaria um dia. Eu, muito teimosa, o testei até ele não agüentar mais. Antes do silêncio nos invadir, ele me lembrou da promessa que tinha me feito, de sempre estar comigo, e de nunca me deixar, mas, balançando a cabeça confirmou o que eu temia tanto, pra sempre e nunca são palavras que não existem e não se devem fazer promessas com elas, sendo que não serão cumpridas. O silêncio tomou conta da gente. E, depois disso, aconteceu. Agora ele está fora de mim, perdido por aí, e eu já nem consigo saber se ele volta um dia.
Fernanda GasetaQuando ela perguntou o que mais temia e ele começou a responder, parecia que o mundo ia se abrindo abaixo dos seus pés, os olhos subtamente se enxeram de lágrimas e só restou desviar o olhar. Olhou para todos os lados, mas não podia encará-lo de novo, não depois de tudo aquilo. Era uma dor tamanha que dava até enjoo, o corpo pesado, e aquela bola gigantesca crescendo na garganta, não demoraria muito pra ela desabar num choro profundo. Quando ele acabou de falar ficou encarando os própios pés na espera de alguma reação. Por mais que ele parecesse triste no fundo ela sabia que ele nem ligava. Ele nunca teve sentimentos, sempre foi gélido, e sempre seria, ela tinha a certeza que não seria ela a despertar nele aquele sentimento tão comum a todos. Num súbito, sentindo que não aguentaria mais nada, ela respirou fundo, levantou-se e saiu andando, as lágrimas correndo pelo rosto numa velocidade tamanha. Saiu, sem rumo e sem ao menos olhar para trás.
Fernanda GasetaÀs vezes ela ficava pensando no reencontro, na vontade que tinha em vê-la de novo, e a saudade apertava forte no peito. Era um súbito de tanta dor que acabava ficando quase impossível não chorar. Parecia que dentro de seu corpo não existiam órgãos, mas sim um vazio. Um enorme vazio. Ela começava a relembrar de todos os momentos, não só porque queria, mas porque sua consciência a obrigava. Poder abraçar a melhor parte de sua vida, a amiga que estava na história dela, conversar, rir, morder e até brigar era tudo o que mais queria na vida. E se fosse fácil, estaria tudo bem, mas existia a tal da distância, que complicava tudo. Aqueles quilômetros chatos que existia entre elas. E lembrando disso, as lágrimas iam correndo pelo rosto, sem freios e sem direção. Quando chorava, sentia que aquele vazio se transformava em uma gelatina mole sem sabor. A boca seca e os olhos úmidos. Pensava no arrependimento que sentia por quando estavam juntas não saberem aproveitar o tempo que foi dado, a amizade que tinham. As brigas mais que constantes eram a prova de que sentiriam falta um dia. Foi necessária a separação para todos aqueles sentimentos virem a tona: tempo, arrependimento, remorso, saudade. Essa última a maior de todas. Naquela época, quando estavam em paz, eram as melhores, as mais unidas e as que mais se compreendiam. Mesmo com a distância continuava essa amizade, mas dessa vez sem as brigas constantes, pois saberiam que se arrependeriam delas. Uma era a melhor da outra, a única, a do pra sempre. Uma fazia a outra continuar, com quem poderiam sempre contar. Cada uma tinha a certeza dentro de si que ninguém as substituiria. Sonhavam com o reencontro, com a segunda chance, e com a hora que as palavras sairiam da imaginação e se tornariam realidade. Era difícil descrever o que uma sentia pela outra, sentimentos são coisas tão abstratas que acabam se embaralhando em milhões de palavras e na hora de dizê-las se perdem num vazio onde ninguém mais acha. Era muito amor imenso, carinho incondicional, saudade inexplicável, compreensão infinita, ligação inigualável e amizade insubstituível. E tudo isso era imortal. Em outros tempos eram ela e a amiga, hoje é ela e a saudade.
Fernanda GasetaSinto.
Falta, saudade, ausência.
Sinto muito.
Sinto o silêncio, que sufoca, incomoda, agita.
Me tira o sossego, me traz a lembrança, junto com a agonia.
Cadê tudo?
Queria poder pegar, apalpar e colocar na minha frente, transformar o passado em futuro, e dizer que já não sinto mais falta.
Saudade de um sorriso, um oi, um telefonema, um amigo, um amor.
Sinto tanta coisa incontrolável.
Sou.
Sou saudade, passado e presente.
Brinco com o futuro.
E sinto.
Sinto muito.
"Não preciso que as pessoas me digam como ser feliz, como agir, que me deêm formulas de como ser. Eu mesma crio e modelo a minha felicidade como se fosse uma massinha. Tudo se encaixa e se ajeita desse jeito, sem interferências de ninguém. Existem pessoas que tentam destruir isso, e fazem de tudo o que podem e mais um pouco, mas meu santo é mais forte. Seguir regras me incomoda, não é de mim. O que as pessoas dizem a meu respeito, comentam, é opinião deles, só eu sei como realmente sou. Acredito em contos de fadas e amores eternos, e mesmo assim, vivo com meus pés no chão. Guardo tudo o que eu passo em um baú, desde risos até lágrimas, e de vez em quando gosto de olhar tudo, e ver o quanto cresci. Meus sonhos são meus mais precioso tesouro, não abro mão deles, muito menos os vendo para alguém. Minha fórmula da felicidade é misturar amigos, família, amores, e viver."
Fernanda GasetaQueria poder dizer que muitas coisas são pra sempre, mas aprendi que "pra sempre" não existe, e as muitas coisas que perdemos são parte do nosso amadurecimento, se não tivessemos passado por elas, e pela perda das mesmas, nós não seríamos completos.
Fernanda GasetaDeixarei que morra em mim esse desejo, não só porque nada posso te dar além do meu olhar exausto, mas porque o meu cansaço faria meu amor por você morrer aos poucos, e isso seria pior do que a perda de um ente querido. Quero que você se lembre de todo o meu amor dado, da minha compreensão, do meu carinho, da minha dedicação, e espero que um dia você aprenda a retribuir, em qualquer tipo de detalhe, seja ele mínimo ou não, porque teria feito grande parte da diferença. Entenda que ninguém consegue fazer tanto por alguém e não receber nenhum afago em troca, nenhum amor suporta isso, é desgastante para qualquer coração. Portanto, quero que esse seja o fim, para congelarmos enquanto está tudo bem e levar assim para sempre.
Fernanda GasetaAbriu os olhos.
Sentiu cada agulhada de luz que penetrava.
Acordou.
Levantou e começou a vestir a roupa.
Na verdade, a máscara. A máscara que vestia diariamente.
Saia para o café, fazendo tudo como fazia todos os dias.
Até quando mais iria suportar essas ondas gigantes em si?
A cada amanhecer ficava mais e mais difícil de saber o que estava sentindo, saber o que estava acontecendo.
Almoçava e por mais que comesse, ainda sentia aquela gelatina mole e sem sabor que insistia em se instalar no seu estômago.
Por mais que tentasse, não conseguia distinguir, descrever, desenhar, seja lá o que for, seus sentimentos.
Eles eram extremamente intensos e confusos.
Moldava, brincava, pintava, bordava, olhava.
Tentava olhar de todos os ângulos.
Não lhe agradava, não era daquele jeito ainda.
Desfazia tudo.
Simples como amassar e jogar fora.
Descansava nas tardes cinzentas tentando achar alguma distração que levassem seus pensamentos para bem longe.
Não importa o quão longe, tinha que ser o bastante para não voltarem mais.
Ou voltarem, mas só quando estivessem organizados o suficiente.
Ainda não tinha vontade de colocá-los em ordem, estava tudo complicado, nem ela entendia.
Passavam-se alguns minutos e começava a tentar de novo.
Ia ficando mais difícil, sempre tinha um obstáculo a mais, um carinho a mais, uma pessoa a mais, uma demonstração a mais, uma indecisão a mais. Como se fosse um jogo, a cada pergunta respondida surgiam mais três.
Mas ela balançava o pescoço relaxando os ombros, e junto com o jantar disfarçado, tentava enganar seus pensamentos e sentimentos, tentava fugir deles, eram tantos, e ficavam cada vez mais dificeis de organizar.
As pessoas comentavam como ela era forte.
Ela sorria.
Dissimulava.
Era. Muito. As vezes demais, e as vezes era até dura demais consigo. Porém, apesar de ser tão fortaleza, tão inteligente como as pessoas diziam, se embaralhava com sua própria mente.
Antes de dormir olhava no espelho, enxergava a si mesma, mas não sabia dizer direito quem era e o que queria.
Deitava a cabeça no travesseiro, relaxava, se sentia mais mulher do que nunca.
Ficava imaginando como todas as horas do seu dia poderiam ser desse jeito, calmas, silenciosas, tranquilas, sem ninguém que incomodasse por perto.
Ninguém.
Nem suas próprias idealizações, utopias e realidades.
Como queria não pensar em nada.
Mas só o fato de querer não pensar a fazia pensar.
Era um emaranhado que a induzia a viajar cada vez mais.
E as luzinhas brancas vinham em sua direção.
E seu coração voava.
E seus pensamentos se transformavam.
Sorria.
O sorriso mais sincero de todo o seu dia.
Adormecia.
Uma resposta a Augusto Cury:
"O ser humano não morre quando seu coração deixa de pulsar, mas quando de alguma forma deixa de se sentir importante"
(Augusto Cury)
Segundo a ciência, a vida começa no momento da concepção e se encerra quando não há mais batimentos cardíacos, porém para a alma, para o espírito, não é assim.
Quando estamos no útero materno todos os cuidados são voltados para nós. Nascemos e somos donos dos olhares em todo lugar. Conforme crescemos e nos desenvolvemos recebemos diferentes tipos de atenção a quase todo momento.
Os anos passam e é nossa vez de desenvolver o papel de dar atenção, seja ela aos filhos, aos familiares, aos amigos ou trabalho, e mesmo dando atenção, continuamos a ser importantes, pois estamos fornecendo-a e ajudando de algum modo alguém. Mas como acontece com nossos pais e pessoas ao redor, acontece conosco também.
Temos família, carreira, amigos e estamos sempre ativos, até que chega um momento em que os filhos se tornam independentes, não somos mais tão ágeis no que fazíamos ou temos que nos aposentar, e os amigos ficam para trás, cada um segue sua vida. É desse momento em diante que começamos a pensar em porque existimos.
O coração está batendo, a saúde está boa, já fizemos tudo o que tínhamos que fazer, mas ninguém vive só pra si e por si, durante uma vida toda fomos importantes pra alguém, seja dando ou recebendo, e agora parece que não participamos mais desse ciclo.
Começamos a procurar formas de voltar a como era antes, tentamos e quase nunca conseguimos. Procuramos ajuda médica, mas ainda não inventaram remédio para a alma. É a partir desse ponto que morremos. Não a morte científica, mas a espiritual.
O ser humano precisa de razões e incentivos para querer levantar da cama todo dia e seguir determinada rotina, uma pessoa sem razão para fazer aquilo que faz, não vive bem. E pra isso inventaram um remédio impossível de comprar: o sonho.
Ter metas, por mais fúteis que sejam, ter objetivos a cumprir, é isso que nos mantêm espiritualmente vivos. Perceba que toda atenção e importância que um ser humano tem ou dá para alguém, gira em torno de seus sonhos.
Nossos pais tiveram um sonho quando nos conceberam, traçaram objetivos e metas para nós, crescemos para alcançar esse objetivo, e conforme crescemos, traçamos novos sonhos e metas para alcançarmos, para sermos tipos de reflexo do que foram nossos pais, criamos um ciclo onde o principal para estar nele é sonhar.
Um ser humano que se sente sem razão para levantar é porque não tem uma meta para alcançar, porque falta esse principal incentivo. Nossas almas são feitas de sonhos, necessitamos deles para sobreviver, para nos sentirmos importantes, fomos incentivados assim desde sempre. A importância de uma pessoa pode ser medida pelo tamanho de seus sonhos. São eles o essencial para estarmos vivos não só de corpo, mas de alma.
