Eugenia Tabosa

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seus olhos felinos
horizontais oblíquos
olham parados

Eugénia Tabosa

Sentadas num fio
estão cinco andorinhas
fugidas do frio

Eugénia Tabosa

na cama de nuvens
o sol espreguiça-se
oblongo

Eugénia Tabosa

na boca da fornalha
labaredas
dançam Falla

Eugénia Tabosa

Seu olhar segue
o voo do pássaro -
será que desce?

Eugénia Tabosa

A abelha voa vai
vem volta pesada
dourada de pólen

Eugénia Tabosa

No rio, a canoa
pinta em verde
o seu reflexo.

Eugénia Tabosa

No aquário redondo
o peixe dourado
julga o mar enfadonho

Eugénia Tabosa

No embalo do rio
ao sabor da corrente
meu amor vai comigo

Eugénia Tabosa

Mar infinito
três vezes bendito
traz meu filho...

Eugénia Tabosa

O pavão parado
no parque sozinho
espera o chamado

Eugénia Tabosa

Voar sempre, cansa -
por isso ela corre
em passo de dança

Eugénia Tabosa

teu corpo deitado
acorda desejos
não confessados

Eugénia Tabosa

no parque vazio
duas árvores abraçam-se
em prantos de chuva

Eugénia Tabosa

Saltando da mesa
a tulipa
foi passear

Eugénia Tabosa

A abelha voa vai
vem volta pesada
dourada de pólen

Eugénia Tabosa

Olhar felino
perfil egípcio
apanha sol

Eugénia Tabosa

O gato chinês
espera sentado
pela sua vez

Eugénia Tabosa

nos fios
os pássaros
escrevem música

Eugénia Tabosa
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