Carlos Seabra

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madura no ramo
vou colher a fruta
da mulher que amo

Carlos Seabra

crianças mortas -
mundo que escreve mal
por linhas tortas

Carlos Seabra

era uma vez
um sapo que - beijado -
poeta se fez

Carlos Seabra

cama macia
corpo se espreguiça
nasce o dia

Carlos Seabra

o vento afaga
o cabelo das velas
que apaga

Carlos Seabra

pardal no fio
ouve o telefone
mas não dá um pio

Carlos Seabra

jornal aberto,
café, leite e sangue:
guerra de perto

Carlos Seabra

corda de versos,
janela da prisão:
foge o poeta!

Carlos Seabra

vela acesa
testemunha olhares
sobre a mesa

Carlos Seabra

mulher aflita
telefone toca
cafeteira apita

Carlos Seabra

olhos felinos
e um corpo de mulher -
cuidado meninos!

Carlos Seabra

ao te adorar
não sei mais se tens
corpo ou altar...

Carlos Seabra

vento no bambu
sopra e geme prazer
assim como tu

Carlos Seabra

mosca na sopa
xilique no boteco
cliente louca

Carlos Seabra

um beijo no pé
outro em tua boca
depois do café

Carlos Seabra

dia de eleição
primeiro o seu voto
depois a traição

Carlos Seabra
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