Adroaldo Bauer

Encontrados 11 pensamentos de Adroaldo Bauer

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Tu, sim!

Agora estás mais em mim

A cada minuto mais inteira

Encantas, douras os tempos

Inigualável, sendo apenas tu

Que me desafia a cada passo

Inteira e íntegra, eu dizia

Dos melhores sentimentos em mim

Que era cacos e revivi

Sendo inspiração és tudo então

Porque o espaço se dobra

relativizando o tempo

é perene então meu encantamento

Primeira és, porque única

que não encontro jamais o futuro

E o passado dissipaste em mim

Sem dor qualquer, linda mulher

Que ilumina vívida e meiga

Sopro que és, dádiva à vida

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In Vino

Acordei com um gosto bom
do vinho, da tua boca em mim
ou era teu batom carmin
da cor igual, adivinho.

Lembrei que não esqueço de ti...

Adroaldo Bauer

A estrela se revela

É à noite que se revelam as estrelas outras

E não há nelas qualquer réstia de pecado

Uma invenção de pouco brilho de quem

Nos quis impor um único trilho

Se teus sentidos se deixam invadir

É porque sentes e consentes que o vôo

seja possível e transbordante de gozo

antevisto, pressuposto, adivinhado

pois já sentimos, ambos, o perfume teu

ele em mim por doces beijos aqui chegados

Sentistes os meus, que te enviei por um caminho de luz

Ou terei eu, por paixão, equivocado, perdido

O senso, vendo e ouvindo estrelas atordoado

Adroaldo Bauer

Mil beijos

Afogado em beijos
A mil o coração
O rosto afogueado
Leio, desejo vê-la.
Quiçá, amá-la.
Êpa! Alto lá!
É que já a amo
apenas por tê-la assim.


Mil beijos, onde os queira sentir.
E não aceito que a nada te obrigues

Adroaldo Bauer

O mesmo em muda - 55

Sou o mesmo em muda perene
O velho a cada novo momento
A existência inconformada
A constância transformada
Amor da esperança alimento

Sou igual ao que se renova
Fatal como o devir comprova
O passado refletido adiante
O presente em vir a ser constante
A terna mutação em vida

Não ambicionem nexo à frente
Que loucos rompemos cadeias
Sem que nos encantem sereias
Espectros inflamando mudanças
A semeadura em florada não tarda

Ah! Maniqueísta! Superficial!
Quem explora, discrimina, exclui...
Amolga os de baixo
mefistofélica miríade multifacética
Não é só o mal. É todo o mal.

Exploração: pecado do capital
Inconfundível, incontornável:
Monopólica escarnecente colheita
A melindrosa carne em putrefação
...
A terra regada assim por amor
Nos dará saudáveis frutos, afinal.

Adroaldo Bauer

"que amigo teu eu seria..."
Ela me sorri,
meu sorriso não retorna
há de ser de mim o que
que não mais a percebo
nem se se refira ela a mim
Definiu-se-me como a dor
Estou vivo, o coração dói
Eu a amo e é isso só
que nada importa.
Faz penar
Diz que se refere a mim.
Indiferença seria ainda pior.
Muito, muita vez mais.

Nem trocamos apenas olhares
e já somos os mais fiéis amigos.
E por que, então, sinto dor
pela amizade da mulher que amo?

Adroaldo Bauer

Sempre te amarei... Sempre vais me amar.



[Sonhei com um novo amor]



Reabri meu coração

Dei flores, fiz canção.



Entreguei-te a minha alma

Foi com ela minha calma



[Sou de novo só um louco!]



Esse amor chegou depois

De nossas vidas a dois

Estarem comprometidas



Não me negaste carinho

Só me pedistes baixinho

- entenda meu coração... foi preso pela razão.



Nem sequer ainda nos vimos

E do amor nos despedimos

Já assim sem emoção... amor



Não és mais livre querida

É pecado e proibido

É um outro amor banido



Vou sofrer e tu também

Não posso voltar atrás

Não se vive uma vez mais



Renascer não é possível

Mas queria um'outra vida

Uma chance ao nosso amor



Sempre vais me amar... Sempre te amarei

Sempre te amarei... Sempre vais me amar

Adroaldo Bauer

Embriagado

O teu cabelo liso lindo assim preso erguido
a nuca exposta, nua, alva e bela, deixa-me
a pensar que bom seria beijá-la com vagar.

Isso não é alucinação, nada mais possível que tal.
Se o prendes, assim fatal, alvejado fico,
e não há mal falar de bem.

Nem lugar outro melhor que esse mundo há,
para dizer assim te amo mais, tanto me atrais

Estou a pensar se teu perfume é sempre em ti,
como ficou em mim desde o beijo que te dei.
Terna és e embriagado fico eternamente.

Já aflito, não vejo hora de voltar a tê-la,
mesmo como àquela vez sonhada o seja,
que casual encontro torna em turbilhão.
Imensa e interminável é essa minha paixão!

Adroaldo Bauer

Não foi em vão

As horas não mais passaram
O fogo intenso fruído derreteu o tempo
soprou cálido nossa paixão ao vento
que flechas voando trespassaram
o coração já varado da luz do momento

A vida não precisa mais sentido
era toda prenchida de ti
Eu me sonhava contigo dormindo
Eu acordava os meus sentidos
sabendo a perfumes teus

Dobraram-se os espaços e juntos
estamos desde aquela hora, única
uma hora sonhada, vivida de amor
à terra retornaram dos céus as águas
ao mar alto nossos fluídos lançados

De amar vivo estou, meu amor é contigo
já agora, desde aquele momento
nenhuma figura mais se eleva que tu
a imaginação me enleva e sublima
não há dor, temor, pena ou castigo

Crê! São as flores de abril que virão
É outono a luzir pós-verão
Um inverno feliz nos faz pressentir
as primeiras primaveras de amores
virão. Não mais terá sido em vão.

Adroaldo Bauer

A paixão no poema

O poema faz o que o poeta não consegue
Da amada por quem ama sopra no ouvido
a poesia lembrado, esquecido, ido, sumido,
Dá o coração, a alma, o amor, a dor, a flor.

Adroaldo Bauer

Deste lado do umbral, ainda...

Estas cores fortes as vi à frente,
um infindo horizonte ao norte
mas voava, não sentia os pés
nem tapetes haviam
que eram nuvens de escuro azul,
de azuis-claros de azuis pastéis, de cruéis azuis
pedi um beijo à amada, já bêbado em anestésico
para atravessar em paz o umbral sem dores
negou-me, astuta solerte, até risonha
repeti que seria assim feliz demais
ela sorriu inda mais, disse-me para ficar
feliz junto a ela e tudo eram rosas já
E mais e mais amores, quiçá


Adroaldo Bauer Corrêa
No décimo-segundo dia após.

Adroaldo Bauer

Por ti, não morri

Escarlate, ouro e rubi
o riso aberto um tesouro
Meu coração inda estropiado
Te ergue uma taça rubra
em honra, glórias e elegias
a teus poemas, à tua poesia
És tu por quem revivi

Adroaldo Bauer